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Com Tesão os limites são superados, a dor vira carícia e os gemidos um convite irrecusável; tudo se faz possível, mas sem Tesão nada acontece.-

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19 de junho de 2018

GÊNESE




Nasci na rua

Sou fruto da escuridão da noite

Da perversão

E de um silêncio inquietante

Interrompido compassadamente

Pelos passos de uma mulher que se aventurava

Sem destino

Como que se pressentisse alguma coisa

Qualquer coisa

Ou mesmo alguém



Nasci quando a peguei por trás com força e perguntei

"Aonde você vai Amar Yasmine"

Nasci da surpresa dela e de seu desespero

De um grito abafado

De quem se curvara a mim

Trêmula



Nasci dos dentes com que lhe marquei a carne e a mente

Do gosto da mulher submissa e sua perversão

Nasci de um longo querer

Da fome por ela e sua submissão

Nasci da certeza que seria minha a qualquer custo

Pois sou seu filho como meu nome diz

Mas me tornei seu DONO

Poderia chamar-me Édipo

Mas sou

Werther von AY erschaffen

14 de junho de 2018

COGITO, ERGO SUM



O segredo para entender e ser fluente em qualquer idioma é se pensar neste idioma, somente assim será possível comunicar-se plenamente sem ficar titubeando. É como se houvesse uma chave comutadora: Desliga o Português e liga o Japonês, o Alemão, o Grego etc.

Da mesma forma, há um segredo para entender a submissão, saber suas reações, superar as dificuldades e limites, extrair o máximo do seu potencial e conhecer melhor quem se submete. 
Pensar em “submissês”.

Como diria René Descartes:

Penso, logo existo

Entender a dinâmica submissa e pensar como submisso, ou o mais próximo possível significa um tremendo “up grade” na relação. Conhecer seus medos, seus gatilhos e pontos fracos, suas emoções e limites, antever as possíveis reações e, é claro, saber a hora de parar uma cena.

Não é um mero sofisma. É como uma sintonia fina entre Dom e sub, algo que não ocorre em sessões avulsas, ou nos primeiros encontros. Refiro-me ao que chamamos de relação, então entenda-se a isto como sinônimo de compromisso, continuidade, conhecimento mútuo, intimidade, cumplicidade etc. 

É um exercício de empatia que demanda não apenas tempo (convivência), mas também muita paciência e observação. Acho que este é o diferencial entre as relações mais intensas, ou sólidas, e as demais. Não é uma questão de ser melhor ou pior, a intensidade do foco de cada uma das partes, especialmente de quem domina, é o que determina a intensidade da relação.

Dessa forma, nada acontece por acaso, como num jogo de xadrez tudo é pensado e planejado visando atingir o extremo das sensações, das emoções, e o consequente ápice do prazer.


Isto é o poder que se recebe


O BDSM se parece com o atletismo, não há recordes, nem condições inatingíveis, ou imbatíveis. Sempre haverá um algo mais a ser descoberto e conquistado, como um limite. Sempre haverá um “quê” de novo e surpreendente para quem s e permite dominar, pois é este o detentor do poder. 



E só se permite aquele que, mesmo na ótica do SSC, admite correr algum risco porque, no fundo, sabemos que o SSC acaba se transformando numa grande utopia à medida em que a relação se intensifica e o tesão afasta a racionalidade. 

Isto só é possível quando se confia plenamente em quem domina e há uma noção de autoconhecimento. Quanto mais há o que conhecer sobre si? Esta é a grande revelação que o BDSM pode propiciar.

Isto decorre do poder concedido.


Talvez seja uma questão de estilo, uns tem um aparente pragmatismo e praticam um BDSM que parte do físico, mas que inexoravelmente leva a um estágio emocional, enquanto outros optam por um caminho não tão direto, preferindo mexer diretamente com as emoções e, a partir destas, conquistar os limites do corpo.


Seja S&M ou D/s, tudo é válido 
quando praticado com seriedade e respeito.






Werther von AY erschaffen

5 de junho de 2018

AS DIFERENÇAS ENTRE OS IGUAIS


BDSM é isso, BDSM é aquilo.

BDSM é assim, ou assado?

Isto é BDSM, aquilo não é BDSM.

PROTOCOLO, ou LITURGIA?

SSC, ou RACK?

LIGHT, ou HARD?


O BDSM tem seus princípios e valores. Eu, por exemplo, gosto daquela forma antiga, mas quem sou eu para emitir qualquer juízo de valor que difere do meu entendimento? Isto me faz mais, ou menos adepto ao BDSM do que alguém?
Posso até defender minha opinião, mas por favor, não confundam com a infeliz e grosseira expressão "cagar regras". Infelizmente, algum déspota criou essa coisa e sempre que alguém cita o seu parecer isso vem à baila.


Então, me identifico com quem pensa de modo semelhante ao meu, mas converso e respeito a todos. Se divirjo do entendimento, simplesmente deixo passar em branco.
O que importa não é a definição, o que realmente importa é que aquele que pensa o BDSM, muitas vezes até mais que quem apenas pratica, saiba o que é, saiba o que faz e assim se entenda um BDSMer. Independentemente do que A ou B possam falar...

Não é a intensidade, ou a frequência do ato, BDSM é antes de tudo um pensar, uma forma de entender as relações; e não me venham com essa coisa de não ser baunilha, afinal todos temos vida dupla, todos somos baunilhíssimos da senzala pra fora. Ou você é maluco de entrar no banco pra falar com o gerente dando ordens!? Que tal ir à delegacia e gritar com o delegado... No popular, "aí cê tá fudido".

Quem é BDSM sabe que é e não precisa provar nada a qualquer pessoa. Aliás, não somos, mas nos momentos certos, estamos BDSM (Shakespeare talvez não gostasse de ler isso). E quando estamos temos que estar cem por cento.
Ou está BDSM, ou não está; não aceito o meio termo. É como aquela passagem bíblica do Livro de Apocalipse (aliás, a Bíblia tem coisas muito interessantes para quem é BDSM):


3: 15 "Eu conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; 
quem deras fosses frio ou quente!"


3:16 "Assim, porque és morno, e nem és frio nem quente, 
vomitar-te-ei da minha boca."


O morno é a indefinição, nem baunilha, nem BDSM.; O morno é a atitude preconceituosa, ou a empáfia desmedida de quem se acha acima de toda a verdade, que não aceita o contraditório, o diferente. O morno se acha BDSM personificado. Tudo além de si é um nada; mas que no fundo se frustra por ser uma mentira.



Numa época em que a diversidade, no sentido lato, é a palavra em voga, não há lugar para "donos da verdade", a não ser em seus domínios. O respeito torna-se mais do que nunca imperativo; a cada cabeça uma sentença e uma verdade. O entendimento é que traz da diversidade a grande e única verdade:

Somos todos BDSM!



Werther von AY erschaffen









12 de maio de 2018

DIALETOS DO CORPO


Uma imagem vale mais do que mil palavras, então uma reação pode ser mais representativa do que mil imagens.

Basta um toque, a língua percorrendo os vales até o íntimo, um arrepio sem frio, e o tesão que escorre preguiçosamente como mel.


Aquele eriçar dos pelos, um gemido, ou um simples e longo suspiro, suores, gritos, grunhidos, choro, soluços, prostração, a inércia e a paz de uma pequena morte.

Tudo isto pode significar muito mais do que, te quero, me fode, sou tua propriedade, me pega, me morde, me rasga, tô morrendo, e muitas outras palavras que se se possa proferir, ou imaginar.


A reação é a prova cabal de que o corpo fala um dialeto sem palavras, às vezes até grita de uma forma silenciosa, mas totalmente perceptível a quem tem os “olhos do sentir”, sem íris nem retina.

Degustar um corpo tal qual um vinho raro, sentir os aromas, o buquê, o gosto em todas as nuances.

É coisa de pele, o barulho das marcas, um cheiro inebriante de dor e o gosto doce de um grito preso entre dentes que rangem, a bunda que arqueja e contrai, tremores, o medo e a entrega que tudo espera e supera…

O gozo e um foda-se para o mundo!



Werther von AY erschaffen


8 de maio de 2018

QUEM ENTENDE A ESCRAVA?



Quem entende a escrava?

Quem pode desvendá-la ao vê-la vergar-se,
cabeça baixa, sentar aos pés como animal… 
A submissa na coleira
Quem consegue compreendê-la?
Nua, a espera, sem saber se é dia dela dar prazer.
A mulher que morre um pouco pra nascer,
pra renascer, ajoelhada e ser por outras mãos moldada 
e ser ferida… e ser curada 
desejando ser dele, seja do jeito que for…
Desejando ouvir o seu Senhor dizer em seus ouvidos…
“Você é minha!”

Autoria: hadara




25 de abril de 2018

DIÁRIO DA SUA AUSÊNCIA



Quando se ama alguém

tem-se sempre tempo para essa pessoa

E se ela não vem ter conosco

nós esperamos. 



O verbo esperar torna-se tão imperativo

quanto o verbo respirar

E aprendemos a respirar na espera

a viver nela

afeiçoando-nos a um sonho

como se fosse verdade. 



A vida transforma-se 

numa estação de comboios

e o vento anuncia-nos a chegada

antes do alcance do olhar. 



O amor na espera

ensina-nos a ver o futuro

a desejá-lo

a organizar tudo 

para que ele seja possível. 



É mais fácil esperar do que desistir. 

É mais fácil desejar do que esquecer. 

É mais fácil sonhar do que perder. 

E para quem vive a sonhar 

É muito mais fácil viver.



(Margarida Rebelo Pinto)





7 de março de 2018

SUA MAJESTADE O TESÃO




Construir e manter uma relação é mais ou menos como uma receita de bolo: Tem vários ingredientes. Então, não basta haver dominante e dominado(a). É necessário, além de um interesse mútuo, compreensão, cumplicidade, respeito, admiração, ..., e tesão.  Muito Tesão.

Os demais ingredientes podem fazer a relação, mas o que a mantém ao longo do tempo, evitando a mesmice, e a torna sempre mais intensa, é o Tesão. É o tesão o fermento da relação.
Tesão que independe da beleza, da idade, da cor, ou de qualquer atributo físico. O Tesão está na cabeça de cada um e é a resultante de diversos fatores que muito raramente são percebidos.



O Tesão é subliminar, é aquela vontade de fazer algo maior e não apenas foder; além disso é subjetivo, cada um tem o seu: Cabeças diferentes... Tesões diferentes.

Tesão que não é exatamente sinônimo de excitação. Se assim fosse, bastava um pau duro, e uma buceta molhada, para dar longevidade a uma relação. Longe dessa coisa simplista e totalmente palpável, o Tesão é a parte sutil do sexo. É onde tudo se inicia e acontece.



Tem instinto, tem sentimento, tem energia, fetiche e fantasia. Coisas que mexem com a mente e esta é que dispara os nossos gatilhos para atiçar o corpo. Agora são os toques, a voz, os cheiros, aquela coisa de pele.

O Tesão que se consubstancia em domínio, a posse e a entrega. BDSM é antes de tudo este Tesão, esta troca de provocações e estímulos que nos eleva a um Nirvana de perversões.
Com Tesão os limites são superados, a dor vira carícia e os gemidos um convite irrecusável; tudo se faz possível, mas sem Tesão nada acontece.



WERTHER VON AY ERSCHAFFEN

15 de fevereiro de 2018

DE JOELHOS


"Bendita seja a Mãe que TE gerou."
Bendito o leite que TE fez crescer.
Bendito o berço aonde TE embalou
A TUA ama, pra TE adormecer!

Bendita essa canção que acalentou
Da TUA vida o doce alvorecer...
Bendita seja a lua que inundou
De luz, a Terra, só pra TE ver...

Benditos sejam todos que TE amarem,
Os que diante de TI ajoelharem
Numa grande paixão fervente e louca!

E se mais que eu, um dia, TE quiser
Alguém, bendito seja esse ser
Bendito seja o beijo dessa boca!!


Florbela Espanca

19 de janeiro de 2018

A SUBMISSÃO SOB O OLHAR DE AMAR YASMINE DO WERTHER


“Submeter-se é se entregar para ser contida e usada ao bel prazer do Dono, de todas as formas possíveis e imagináveis, inclusive como objeto sexual. Submissão é a entrega para infinitas práticas lindas e deliciosas.”



Era o que os antigos adeptos ao BDSM ensinavam às iniciantes, deslumbradas e apressadas em aprender para terem logo sua experiência.

Entretanto, eu pensava se a submissão não extrapola este conceito tão pequenino... se não está muito além das práticas, que nada têm a ver com sofisticação ou beleza.
E, como tenho o hábito de quebrar as certezas das coisas, e faço isto sempre numa conversa comigo ao espelho, não importa o que venha ganhar ou perder, pensei... pensei... E pensei muito, antes de responder. 

Agora, faço a você, minha amiga, a mesma pergunta que fiz a mim. Antes, é bom lembrar que: Não se esqueça que é imprescindível ser absolutamente honesta consigo ao responder.



_Concorda que a submissão transcende a tudo acima e que também é:


1) Aliviar todo tipo de peso dos ombros do Dono. Captar suas preocupações e tentar acalmá-lo ou, pelo menos discutir alguma solução.

2) Ser leve, espirituosa, alegre, brincalhona, às vezes até meio palhaça, para despertar seu humor riso, sua gargalhada.

3) Ser sua cúmplice em qualquer tipo de aventura e prazer, do mais romântico ao mais perverso e leva-lo ao gozo de acordo com seus caprichos e desejos.


É, minha amiga, a submissão vai muito além daquilo que pode entender nossa pequenina compreensão. Ela é tudo que citei acima e, mais ainda, buscar se instruir em diferentes assuntos para que o Dono tenha com quem conversar. Não se esqueça que “Homens” apreciam uma boa conversa, ainda mais se for na horizontal... Uma boa conversa sobre seus assuntos prediletos.

Se saber o que falar é importante, mais ainda será, na hora certa, baixar a cabeça, os olhos e, numa atitude de pura aquiescência e respeito, calar e ouvir. Fazer do seu silêncio o bálsamo para alivia-lo das agruras da vida.



Finalmente, OBEDECER. Obedecer a qualquer custo, sem reclamar, sem querer provar que está certa ou tem razão.

Feito isto tudo, não custa nada carregar as malas e os embrulhos do Dono. Ser gentil. Abrir a porta do carro quando ele for entrar ou sair. E, a menos que não seja da vontade dele, andar dois ou mais passos atrás, em todos os sentidos.

Do lado oposto ao desta escrava submissa existe uma outra. Aquela que reclama e exige. Sua visão é completamente equivocada. Ela é míope para submissão. Por total insegurança ou complexo exige exclusividade e, a todo instante, precisa lembrar a todos da sua “personalidade forte”. 
Ora, personalidade forte tem quem vive a verdadeira submissão e pronto. Quem não precisa provar nada sobre si mesma a ninguém.

E quando gritam aos quatro ventos que o Dono tem que cuidar da sub??? Sabemos que cuidar do seu botton é um dever do TOP. Não é necessário alardear, muito menos impor.
Pra mim, isto é uma total inversão de valores. É o botton que serve ao TOP? Ou o TOP que serve ao botton? Quem vê isto de forma oposta deve repensar sua posição no BDSM. Quem sabe não deveria mudar o seu lado do chicote?!

Que peso é este que a submissa coloca nas costas do Dono? Será que não percebe que, não obstante uma aparência delicada e frágil, ela tem que ser forte como uma rocha? Que não é ela que se equilibra sobre o Dono?

Pois, repito aqui as palavras do Senhor Werther von AY erschaffen, meu DONO e meu AMOR, para mim:

“Amar Yasmine, você é o chão onde piso. 
Portanto, não trema senão...”

Espero que não fiquem chateadas comigo... Com a minha rigidez no assunto. Preciso ser rígida pra que muitas possam ver e viver as delícias da verdadeira submissão.
E lembrem-se, embora eu fale facilmente sobre o assunto, muitas vezes eu me engano. Sou humana, também erro. Mas, estou entregue nas mãos do DONO e recebo dELE, agradecida e feliz, todas as correções e castigos. Minha vida pertence a ELE!





12 de janeiro de 2018

CUCKOLDING E FEMINIZAÇÃO

BDSM não é para pessoas de mente fraca

Quando a gente se dá ao trabalho de observar e ler - coisa meio démodé aqui no nosso mundo tupuniquim -, sobre o que rola no BDSM estrangeiro, percebe o quanto as coisas podem ser diferentes. Apesar das barreiras do idioma às vezes é possível aprender coisas interessantes.

Em alguns países do leste europeu o S&M puro é bem mais frequente do que aqui, por outro lado em países como os EUA há uma predominância de certas práticas pouco vivenciadas por nós. Em ambos os casos o BDSM vai pra rua, com ares de manifestação cultural.


A questão de como entendemos o sexo e as relações pesa muito, isso sem falar na influência dos dogmas religiosos e da nossa própria formação. Somos fruto de uma educação ainda repressora, repleta de tabus, vergonhas e preconceitos.
A forma como o BDSM é vivenciado em países outros bem demonstra como a cultura de cada povo funciona como diferencial neste sentido.

Uma prática em especial retrata essa diferença, Cuckolding.
Para muitos é uma forma de grande humilhação, este é o primeiro entendimento da maioria, mas nem sempre é assim. Há quem aprecie o ato em que a sua mulher seja fodida por outro homem, ou mesmo adotar a posição de mero coadjuvante. Não lhe é humilhante, mas um prazer e uma forma de dar à ela prazer, que segundo um praticante pode também ser entendido como o ápice da cumplicidade. Mais importante de tudo: É CONSENSUAL.
Quando termina a cena, o que resta é apenas um casal feliz. Cuckolding já é considerado, semelhantemente ao Poliamor como um estilo de vida.


Nem toda prática dita humilhante representa ser realmente humilhado, assim como nem todo castigo é entendido como tal. Para um masoquista, o Spanking nem sempre é uma punição.
Independentemente da intenção de quem comanda e do efeito causado na parte submissa, tudo é apenas Perversão.

As práticas de humilhação merecem especial atenção por atingirem não o corpo, mas o emocional. O correto é que todo possível dano, tanto físico, ou emocional seja sanado, mas quando tratamos de emoções pode ser difícil reparar o estrago feito. Um dilema entre o SSC e os RACK.


Feminização, que não se restringe ao simples ato da inversão, ,mesmo que forçada representa muito mais prazer do que punição, por demandar uma grande dose de tempo e atenção de quem domina.

Nos EUA a feminização está tão difundida na sociedade que há muitas mães que por motivos diversos, como por exemplo a diminuição da agressividade, feminizam seus filhos, sem que isso contrarie a qualquer norma, ou lei. Existem orientações na literatura (livro de Victoria Marlowe) de como fazer tal processo segundo os ditames da lei americana.  


Então é muito mais fácil lidar com questões como essa quando há um histórico na sociedade. Passa a ser algo perfeitamente aceitável e normal.
A questão da “cornitude no Cuckolding”, tão denegrida na ótica baunilha, não é vista por mim como algo pejorativo, vejo apenas como um fetiche e respeito a quem pratica.

Escrevi este texto sem outra pretensão que seja trazer à tona a discussão de um assunto polêmico em função da nossa formação cultural, além de mostrar o quanto o BDSM pode ser plural, não somente em relação às práticas, mas à sua compreensão num contexto social.

BDSM não é para pessoas de mente fraca


Werther von AY erschaffen


9 de janeiro de 2018

A IMPORTÂNCIA DA CONFIANÇA


A confiança é tão importante no BDSM quanto a cumplicidade e até precede a esta. É a base de qualquer vínculo, independentemente do grau de comprometimento das partes. Então, sempre haverá um mínimo de confiança. Afinal quem se permitiria ser dominado(a), amarrado(a), flagelado(a) e tantas outras práticas, sem confiar em quem rege as ações?

E de onde vem a tal confiança? Vem da intimidade, do conhecer a si e do conhecimento mútuo. É importante saber da seriedade e da destreza de quem domina e aplica as práticas.

Qualquer relação D/s sem confiança será sempre um faz de conta, um mero exercício de fetiche.


O que mais me fascina nas relações com maior comprometimento é justamente o binômio confiança e cumplicidade. É o desejo de um na mesma direção do querer do outro, um amor ao que se faz e às vezes por quem se faz… o prazer de um complementa o outro.

Como permitir, por exemplo, uma restrição tipo smothering, ou mumificação, especialmente para quem tem fobias, sem se entregar e sem confiar? 

Na primeira vez em que fui mumificado levei um susto. A Dominadora (Senhora Maga), em quem confiava plenamente, obstruiu propositalmente minhas narinas com filme plástico, queria me passar um susto e também ver a minha reação, até onde iria a minha confiança. Eu estava completamente coberto pelo filme e imobilizado, mas permaneci quieto por confiar. Somente depois de alguns segundos tive a sensação do desespero pelo ar que não tinha. Ela prontamente rompeu o filme, liberando o ar e deu uma gostosa gargalhada. Em todo o processo eu sabia que estava em ótimas mãos e que ela cuidaria de mim.


Mudanças comportamentais e/ou físicas, como a feminização radical, também demandam tempo, confiança e cumplicidade. É o máximo em termos de entrega, compromisso e confiança. Já ouvi uma Dominadora afirmar que feminização é como brincar de boneca, ou que feminização é um máximo de poder pelo fato de mudar uma pessoa e fazê-la melhor.


Por isso admiro muito, tanto a quem domina quanto a quem se entrega e permite este moldar. Tudo é válido se feito consensualmente, respeitando os desejos de ambos e com seriedade. Considero uma arte, moldar e construir uma nova pessoa, dirigir-lhe as ações.

PORTANTO:

BDSM é re ( L ) ação, 
não se faz sozinho.

BDSM é sinônimo de comprometimento
seriedade e responsabilidade na busca dos interesses 
de quem domina e de quem se submete. 
Essa mistura é o segredo.

BDSM é ter a certeza 
do que se é e do que se deseja. 
É o desejo de descobrir novos horizontes 
do eu e do nós.


Werther von AY erschaffen




5 de janeiro de 2018

DA PROPRIEDADE



Sou tua porque sou tua
Como é a areia do mar
Como é da noite a lua
Como da ave é o voar

Sou tua porque sou tua
Não há o que duvidar
Por Ti estou sempre nua
Na cama, ou na sala de estar

Sou tua porque sou tua
Se me amar, ou me desprezar
Se me jogar pela rua
Ou em seu colo embalar

Não há o que fazer: eu sou tua
Nada isto pode mudar
Só a vontade que é tua
E enquanto ela durar

Enfim, meu DONO, eu sou tua
Pra me vender, usar, ou alugar
Tempo passa, tempo continua
Pode até, se quiser, me matar.

{W_[Amar Yasmine]}

22 de dezembro de 2017

LíQUIDA



Amar Yasmine,



BDSM e bebida não combinam,

Mas não bebo, apenas sorvo.

Tomo tua energia, 

Aromas,

Calor, 

Arrepios, 

Suspiros,

Gritos

E

Dor.




Delicía-me tua entrega

Despojada,

Despida,

Sacra,


Despudorada.




Sem eira, 

Nem beira, 

Na cama.

No chão, 

Na rede, 

Ou esteira.




Então bebo, 

Brindo um corpo

Que vibra, 

Inebria, 

Contorce,

Vicia.



Chama que me acende, 

Queima,

Convida,

Inflama, 

Clama.

Me chama em silêncio e diz:

"Sou sua"!



Werther von Ay erschaffen





16 de dezembro de 2017

LITURGIA



Sinto saudade de MARIvida trevi como sinto...ah saudade é uma palavra que só existe no português tupiniquim. Uma pena, pois outros povos sentirão melancolia, tristeza, falta, mas jamais sentirão saudade. Tão mais amplo.

Se inventaram o uso da palavra liturgia no BDSM inventaram montes de outras mais palatáveis que se usa porraí. Porque não posso usar a palavra liturgia se ela tem significado e significância?

Protocolo? Protocolo na nossa língua é algo tão desprovido, tão carregado de falta de praticidade, de obrigatoriedade, de chatice. Protocolo é número que o telemarketing te dá quando te enrola por 40 min que você não tem.

Liturgia enquanto serviço público na antiguidade ou mesmo como ritualística religiosa remetiam/remetem a algo oficioso e representativo, em ritos com significado e significância.

Além disso, BDSM é uma comunidade de costumes, e não de leis. Até parece que existir bíblias ou conselhos supremos impedem o humano de permanecer no seu direito supremo do livre arbítrio. Seguir ou não seguir, eis a questão.

Sim eu sou litúrgica. Muuuuuuuuuuito litúrgica. Jamais vivenciaria uma relação hierárquica como é a relação BDSM, sem um ritual que me abstraísse da vida comum e me trouxe ao patamar de ali ser o bottom que se coloca à disposição do Top. 
Do reconhecimento de que naqueles momentos, sejam quantos e quais forem, posso transferir o poder que tenho sobre mim mesma e oferecer a divindade de conduzir, atuar, realizar a quem me inspira esse sentir. Sem com isso desfazer-me de mim mesma, mantendo a consciência de que na vida sou responsável pelas decisões que tomo e pela plena consequência dessas.

Fazer isso sem um simbólico que me delimite realidade e abstração seria o início de uma decadência de perder o controle sobre mim mesma, de verdade. De não mais saber-me e Ser.

Desculpem o devaneio ruminoso...
Voltando as vacas......malhadas...

O termo liturgia é plenamente aplicável quando se quer significar atos ritualísticos com significado para um grupo. Protocolos sim seriam regras rígidas, aplicáveis tão somente a uma festa em particular, onde o código é rígido e se entra sabendo a regra do jogo.

Liturgia BDSM são atos públicos que significam a hierarquia BDSM, são atos que dignificam e demonstram a sua posição BDSM sem que precise explicar, explicitar ou enfiar goela abaixo de ninguém. Não são regras ou leis, são atitudes incorporadas quando ali estamos reunidos para demonstram como nos sentimos ou colocamos perante os demais. Atitudes que fazem os praticantes identificarem a posição do outro sem precisar esclarecimentos. Não se protocolos representariam esse sentido, creio que não.

Mas independente de questão semânticas ou etimológicas, há de se respeitar um termo que pelo menos a 20 anos representa um grupo de praticantes que acredita, honra, e sente necessidade e representatividade no uso da palavra.

Quem não gosta não use, mas respeite quem usa e gosta e sente. Já tem sua tradição, e vai ser mantido, e não será nem a negação do termo e menos ainda o uso inadequado por idiotas de plantão que fará de litúrgicos, como eu, pessoas mazinhas, indignas, ou dementoladas.

Mais respeito, menos reatividade.


Vaca Profana


27 de novembro de 2017

COLEIRAS



É uma quase unanimidade a assertiva do significado de uma coleira no BDSM, mais precisamente na esfera D/s. Muito além de posse e pertinência a coleira representa vínculo e, como tal, denota os dois lados de uma relação.



Mais do que posse, a coleira significa a ligação 
e o compromisso entre ambos. 
Respeitem!

Com a crescente disseminação do BDSM o uso da coleira e seu real sentido foram perdendo em seriedade e assumindo ares de mera fantasia.





Coleira é sinônimo de dignidade e seriedade. 
Valorizem-se!

Coleira não é caridade nem fruto de simpatia, ou amizade, não se conquista pela beleza fisica. Coleira é mérito e como tal, demanda tempo, conhecimento mútuo e a certeza das escolhas e responsabilidades tanto do "D", quanto da "s".  Não se sai por aí encoleirando indiscriminadamente!




Coleira não é fim, é meio para o crescimento 
e aprimoramento da relação.
Superem-se!

Coleira não significa perpetuidade, 
mas pode ser.
Mereçam!



Também não encerra a exclusividade, 
mas todo (a) sub pode ter.
Conquistem!

Coleira não é cativeiro, mas amarra ao "s" pelo Domínio, o poder concedido; e ao "D" pelo poder do encanto, da sedução, do fazer-se gostar e da entrega.

Porque há coleiras, 
poderão haver Coleiras...



By: Werther von AY erschaffen

14 de novembro de 2017

HH HOT HOUR 80'S PARTY NO DOMINATRIX



O HH HOT HOUR TÁ DE CASA NOVA!!

Nosso encontro vai ficar ainda melhor!!
Agora vai ser no 

DOMINATRIX!!

Vamos curtir uma festa com toda diversão dos Anos 80!!
Som animadíssimo, tudo muito colorido e divertido!!

E vai ter até uma apresentação de dança burlesca, genteee!!
Tenho certeza de que ninguém vai querer perder!!

Valores:
30 ENTRADA ou 60 CONSUMAÇÃO



Dominatrix, na Rua Fernando de Albuquerque 171, Consolação
SÃO PAULO/SP


SEXTA, 24 DE NOVEMBRO 2017, BRASIL, HH ANOS 80 

2 de novembro de 2017

SEXY FAIR RJ SEGUNDA EDIÇÃO




SEXY FAIR - SEGUNDA EDIÇÃO

CENTRO DE CONVENÇÕES 
SUL AMÉRICA

Terça-feira, 31 de Outubro 2017/16:00 
a 05 de Novembro

NÃO PERCA

24 de outubro de 2017

A SANTA DOS IGNORANTES


Canonizada por uma disseminação negativa e pelo imediatismo, onde sempre a primeira impressão é o mais importante, a Ignorância ganha o status de Santidade: A Santa Ignorância!

Então, muita gente que apenas ouviu sobre o que é BDSM, ou leu aquela definição estilo Wikipédia recrimina, comenta e até discute o assunto com ares de sapiência, ou de sarcasmo. A visão caótica e simplista de que o BDSM é uma anormalidade, que resume-se ao mandar e obedecer, ou ao bater e apanhar, sem qualquer outro princípio, é lugar comum em praticamente toda sociedade. Talvez por mais um milagre da Santa Ignorância é assim que somos vistos e qualquer tentativa em desmistificar este erro é inócua. A ideia de um mundo que se restringe somente aos prazeres bizarros, limitados ao gozo no sentido mais usual, é outra pérola da Ignorância baunilha.



Apesar de toda esta “cegueira”, vários baunilhas que me conhecem e sabem das minhas atividades no BDSM surpreendem-se quando falo do cuidado inerente ao que fazemos, especialmente no D/s; aqui moldamos e construímos personagens, lidamos não apenas com o corpo físico, mas também com emoções (gatilhos), sentimentos, fetiches, traumas, dúvidas, inseguranças, medos, e muito mais. Lidamos com pessoas que se permitem compartilhar seu íntimo de forma inimaginável. É óbvio que nem toda relação chega a este nível de complexidade, mas sempre há, em maior ou menor intensidade, este tipo de comprometimento.

Infelizmente este lado do BDSM, que está implícito no SSC (por muitos contestado) não é mostrado lá fora e o pior, é muito pouco discutido, mesmo aqui entre seus adeptos. Quem entra no BDSM nem sempre tem a sorte de poder aprender algo extremamente importante e que normalmente é transmitido quase que por osmose, no dia a dia de uma relação que possibilite a observação do que é praticado, mas não é explicitamente disseminado. Infelizmente já não temos os mentores como no passado, então, tão importante quanto ordenar, por exemplo: - venha em jejum; é explicar, depois da sessão, o motivo da ordem.

Vivi isto e sei como foi importante, aprendi com as Dominadoras Rosa Negra e Senhora Maga, a quem um dia pertenci, e que tinham um imenso prazer no “fazer”, de modo a mostrar não apenas as técnicas, mas os possíveis riscos e os necessários cuidados.
É assim que se ensina, que se aprende, que se cresce; e talvez assim possamos ser considerados pessoas normais.



Werther von AY erschaffen