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Blog criado em 30/10/15 - Com Tesão os limites são superados, a dor vira carícia, os gemidos um convite irrecusável e tudo se faz possível. Mas, sem Tesão nada acontece.-

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20 de setembro de 2018

20 DE SETEMBRO DE 2018 - 03 ANOS




O AMOR, MEU AMOR

Nosso amor é impuro
Como impura são a luz e a água
E tudo quanto nasce 
E vive além do tempo

Minhas pernas são água
As tuas são luz
E dão a volta ao universo
Quando se enlaçam
Até se tornarem deserto e escuro
E eu sofro de TE abraçar
Depois de TE abraçar para não sofrer

E tocas-me
Para que eu deixe de ter corpo
Quando me extinguir no Teu

E respiro em TI
Para me sufocar
E espreito em Tua claridade
Para me cegar
Teu Sol vertido em Lua
Minha noite alvorecida

TU me bebes 
E eu me converto na Tua sede
Teus lábios me mordem
Teus dentes me beijam
Tua pele me veste
E fico ainda mais despida

Pudesse eu ser TU
E minha saudade ser
A minha própria espera

Mas deito-me em Teu leito
Quando apenas queria dormir em TI
E sonho-TE
Quando ansiava ser um sonho Teu

Tu levitas, voo de semem
Para em mim mesma TE plantar 
Menos que flor: Simples perfume
Lembrança de pétala sem chão 
Onde tombar

Teus olhos inundando os meus
E a minha vida, já sem leito
Galopando margens
Até tudo ser mar
Esse mar que só há depois do mar

Mia Couto, in
"idades cidades divindades"

12 de agosto de 2018

FELIZ DIA DOS PAIS, AMADO SENHOR WERTHER, PAPAIZINHO LINDO DO CORAÇÃO!

Determinaram que hoje é teu dia
Mas, todos os dias são teus
O que posso Te dar de presente
Além da minha servidão e dos carinhos meus?

Morda-me o corpo e dilacera-me a carne
Tua vontade será sempre minha lei
A vida que um dia foi minha agora é tua
Depois, se quiseres, me valei

Não importa se é sadio, ou consensual
Usa de tudo em mim com teu Sadismo cruel
Extrai cada gota de vida minha
Que este é o meu mais sublime papel 


Aperta bem forte minha traqueia
Deixa-me sem ter como respirar
Olha-me nos olhos enquanto me asfixias
Pra veres o quanto me fazes gozar

Tua filhinha não é mais criança, mas
Se precisa dos teus cuidados e da tua proteção
Acima de tudo precisa dos teus prazeres
Quando a maltratas sem coração

Depois, DONO ADORADO, deixa-me só a tua espera
Teu abandono me fará chorar
Sei que é mais na alma do que na carne
Que adoras me torturar


Amado Papaizinho do meu coração
Tua escrava submissa te beija inteirinho
Dos pés, à alma, ao coração! 

{W_[amar yasmine]}

6 de agosto de 2018

ACÉFALAS, OU PENSANTES??




Embora o fato não tenha verdadeiramente acontecido, a atitude acabou marcando uma época. Grande parte delas hoje se arrepende, no entanto. Elas se esqueceram que, junto com os ganhos, vêm sempre as perdas e, hoje, lamentam o fato de não terem mais quem abra a porta do carro para elas e por terem que dividir a conta do motel.

Atualmente, no SM, acontece algo parecido. Praticantes do sexo apimentado, que se dizem submissas e até escravas, resolveram provar a todo custo que têm personalidade forte, um “cérebro privilegiado” e, o que é pior, que só fazem aquilo que lhes dá prazer. Na verdade, embora se digam submissas, elas querem o controle da situação e manipulam seus parceiros à exaustão. Algumas por trás dos bastidores, outras na caradura mesmo. As submissas verdadeiras elas chamam de acéfalas... rs..

A escrava “acéfala” é aquela serena, encantada com seu papel, cabeça baixa, olhos sempre brilhantes de emoção, lábios entreabertos, joelhos ligeiramente separados, demonstrando que nada e nem ninguém poderá impedir o acesso do Dono a qualquer parte do seu corpo, ou de sua alma. E o mais importante, ela vive totalmente imersa no prazer que advêm dos prazeres dEle, de suas práticas preferidas, dos brinquedinhos que Ele gosta de usar para torturas, não importa quais sejam.

Não é apenas no comportamento físico que ela demonstra o que é. Toda sua atitude é logo notada pela aura de submissão genuína que a envolve, pela maneira como se dirige a todos, jamais demonstrando ser algo, além de totalmente subserviente a quem a possui. Ela pode dizer de si mesma que é submissa porque tem "POSTURA" de submissa.

Esta mulher vive envolta em luz inefável. É melíflua e muito respeitada porque tem coragem de calar o próprio cérebro para “funcionar” tão-somente através do cérebro de seu Dono. Talvez por isso, as que não entendem bem o que é verdadeiramente estar a serviços de alguém por vontade própria, que não sabem o que é livremente se doar aos prazeres e interesses do outro, a julguem como acéfala.

Já as espertas, que lutam para se igualar aos Tops, o que cabe a elas é apenas a solidão como companhia. Se consideram superiores, não respeitam a hierarquia, têm o desplante de tratar TOPs por "você"... falam com eles de igual para igual. Não têm nenhuma postura e morrem de medo da verdadeira servidão. Sonham que vivem o Sadomasoquismo, mas se as procurarmos muito, ainda assim não as encontraremos no playground oficial do SM.

Escravas “acéfalas”, agora sei porque recebemos esta qualificação, são mulheres fortes, determinadas, despojadas no servir, SUBSERVIENTES sim e com um maravilhoso poder de entrega. Só não sei quem nomeou as tais praticantes de sexo apimentado como “especialistas” em avaliação de cérebros, que curso fizeram que lhes faculta esta atividade.

Às espertas digo: Este é um texto/protesto. Tenho orgulho em bater no peito e dizer que, apesar de adorar estudar, me tornei acéfala. Assim me tornei, porque o faço de bom grado por ELE e tenho várias amigas que assim também são para seus Donos.  Mulheres que se anulam com prazer, se deixam desconstruir para serem de novo construídas. Entregam-se para serem moldadas sem ao menos perguntar que forma terão. A nós isto pouco ou nada importa, desde que a forma agrade a nossos Donos. Somos exemplos de submissão porque nos dedicamos ao máximo à arte de servir, que jamais colocaríamos em primeiro plano nossas vontades... mesmo porque, um dia trancamos nossas vontades num cofre, cuja chave é propriedade de quem nos comanda.

Seria bom que as que criticam fizessem uma reflexão sobre a verdadeira entrega, a submissão e o ato de servir, para que façam escolhas conscientes. Ninguém é obrigado a viver este estilo de vida. O Sadomasoquismo não deve ser seguido por modismo. Sua prática tem que estar vinculada ao prazer senão poderá acabar sendo uma fonte de questionamentos e frustrações.

Meu DONO leu este texto antes que eu o publicasse e o aprovou. ELE sabe que as “espertas” me chamarão de “acéfala”, mas isto não importa. Para mim, o que importa é que somente ELE poderá questionar minha servidão. 



{W_[amar yasmine]}

29 de julho de 2018

SAUDADES DO PASQUIM




Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha "infância" querida  
Que os anos não trazem mais! 
(Casimiro de Abreu que me perdoe...)

Das rodas de amigos e das conversas noite adentro ou afora. Nas madrugadas de jovens, os velhos de agora. Da filosofia barata, quase pueril, regada a The Who, Geraldo Vandré, o Terço, Som Imaginário, Beatles... num violão errante, claudicante.

Da época em que a gente lia de Jack Kerouac, Kafka, livros de bolso e certamente o Pasquim. A gente curtia o Paulo Francis, Stanislaw Ponte Preta, Tarso de Castro... Depois cada um vociferava acaloradamente sua versão.


E tínhamos ideias, ideais, a crença e a vontade de mudar o mundo, descobrir-se único, na coletividade.
Não tínhamos carro, mas o mundo era pequeno diante dos nossos sonhos. A gente sonhava à béça!
Fazíamos vaquinha prá comprar Martini e bebíamos direto da garrafa, como se pudéssemos sorver a vida num só gole. O ápice era quando rolava um beck. Todo mundo se cagando de medo, mas sempre juntos... Até prá fazer merda.



Ninguém tinha a pretensão de ser melhor, ou diferente dos demais. Afinal todo mundo é diferente, mas nos víamos como iguais. Agente se respeitava e se curtia muito.

Outros tempos, outras percepções. Hoje as pessoas parecem mais preocupadas apenas consigo, muitos vivem num mundo do eu e o resto. Eu sei, eu sou, eu faço...
Infelizmente, hoje, isto acontece também na esfera do BDSM, e o pior é que com o passar do tempo fica chato, vira mesmice.

Gosto muito quando alguém escreve um texto legal, ou passa informações importantes, fala de alguma prática pouco difundida, um evento, algo que acrescente qualquer coisa que não a sua imagem, ou seu brilho. Brilho todo mundo tem, mas saber que tem é que são elas.


Todos somos importantes. Quanto a mim, sou um otimista e ainda vejo a ideia de grupo, em termos ideológicos, da mesma forma do meu grupo de jovens dos anos 70.

Werther Von AY erschaffen

29 de junho de 2018

O EFEITO "FACEBOOK", OU APENAS UM SINAL DOS TEMPOS?

Os mais novos talvez não consigam entender, pois não tem o passado como referência, mas os mais vividos, com certeza, sabem a que me refiro.

Há não muito tempo, mais ou menos até 2013, ainda era o tempo das listas, havia um nível de participação e uma interação muito maiores entre adeptos e simpatizantes do BDSM. Justamente por isso, era comum sempre aparecerem novos vínculos e discutia-se muito sobre práticas e técnicas. As listas eram um espaço totalmente democrático e com uma participação bem maior do que as atuais redes sociais; talvez o FetLife seja a exceção. Então muita gente que, como eu, participava de várias delas: BDSM Nordeste, BDSM Sul, BDSM MG, Nação BDSM e várias outras.


Sempre houve divergências, egos inflamados e por vezes prepotentes (às vezes beirando o ridículo), havia até alguns atritos, mas tudo era resolvido a contento. Lavava-se a roupa suja ali mesmo. O mais importante é que havia mais participação, não só pelo crescente número de membros como também pela intensidade com que participavam.

Se alguém postasse um novo tópico para discussão, rapidamente aparecia uma “chuva de palpites” (não exatamente um brainstorm) e respostas, com direito a réplicas, tréplicas e o caralho a quatro. Às vezes tínhamos que considerar um tópico como esgotado para que outros pudessem vir à baila. Era muito bom...

O BDSM era, mais do que nunca, um movimento, e não uma atividade de alguns grupos praticamente restritos quase que herméticos. O mais intrigante é que não havia ainda a facilidade dos smartphones que permitem o acesso à WEB em qualquer hora ou lugar, tudo era no PC, o que restringia de certa forma a participação em virtude dos horários de trabalho, estudos, ou qualquer atividade que significasse não ter acesso ao computador.

Era mais difícil, digamos menos fácil, mas a gente dava conta do recado; era como se houvesse um foco maior, um maior tesão em participar. Hoje, noto um certo marasmo em relação à coletividade, parece que “quase ninguém” liga mais para a ideia de grupo, movimento, subcultura…, e digo este quase ninguém porque ainda vejo em algumas pessoas o mesmo entusiasmo de antes, mas isso da nada vale se não houver um feed back. Seria como pregar num deserto.

Os sites eram muito mais completos e alguns passaram a ser quase referências para os neófitos, como o “Desejo Secreto”. Havia uma profusão de bons textos, alguns traduzidos, que eram realmente lidos. A literatura BDSM era não apenas citada, mas também consumida. Lia-se Sadismo e Masoquismo, lia-se o erótico e o profano, coisa que nestes tempos de “BDSM celular” está agonizando.

Hoje falamos muito na última, e já quase esquecida, novidade do BDSM: Os “Cinquenta tons de cinza”. A questão é que grande parte dos que conheceram o romance, pelo filme e não pelo livro, porque o hábito da leitura está pra lá de esquecido, sequer ouviu falar em obras como “A Vênus das peles”, “A Filosofia na Alcova”, “Justine (Os infortúnios da Virtude)”, “A história de Ó”, ou “Os 120 dias de Sodoma”, ou na obra de Glauco Mattoso, por exemplo. Só me resta propor um minuto de silêncio pela agonizante e moribunda Leitura...

 “Eu vejo o futuro repetir o passado
Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não para
Não para não, não para”

 Às vezes ainda acesso blogs e sites (alguns descontinuados) de pessoas que são, ou foram muito importantes como Rainha Victoria Catharina, O Curral da vaca, escravas e submissas, O Castelo da Maga, Lucius Ghostwish, Rainha Frágil, Reino de K@, Dorei Fobofilica, John Coltrane, O Carcereiro, Tormentos, Sir Raptor, Torquemada RJ, Lord Bondage, e tantos outros.

Parece que as pessoas não tem mais tempo para o BDSM como ocorre em relação a tantas outras coisas.

Hoje o tempo parece ser cada vez mais escasso. A maioria das pessoas não mais consegue administrá-lo para as diversas atividades do dia a dia, não sei se perdemos muito desta preciosidade no trânsito caótico das cidades ou assistindo TV, talvez teclando no Instagram, ou WhatsApp; só sei que os dias de hoje tem as mesmas 24 horas dos dias de antes e pior, com mais facilidades tecnológicas. Isto é sedentarismo mental. A sociedade está emburrecendo!


Vi um objeto jogado num canto do quarto. 
Empoeirado, parecia algo há muito esquecido, sem uso. 
Aproximei-me e vi que parecia uma serpente enrolada. 
Aproximei-me ainda mais e só então percebi o velho chicote, 
aquele que em outros tempos você utilizava com prazer. 
Sujo, ressecado, puído...

Para muitos o BDSM é sinônimo de sexo, para outros simplesmente o engloba. Concluo, então, que estamos lendo e pensando menos em sexo, pois estamos nos afastando de algo ligado ao sexo, por conseguinte e, de certa forma, estamos fazendo menos sexo.

 “Cansado de correr
Na direção contrária
Sem pódio de chegada... 
ou beijo de namorada
Eu sou mais um cara”

Meu Deus…, assim corremos o risco de ficar impotentes. Que brochada, hein!!! Precisamos urgentemente pensar em nos reciclar, ou sucumbiremos ao ócio e consequentemente ao tédio de uma mesmice burra e estagnante.

Werther von AY erschaffen

19 de junho de 2018

GÊNESE




Nasci na rua

Sou fruto da escuridão da noite

Da perversão

E de um silêncio inquietante

Interrompido compassadamente

Pelos passos de uma mulher que se aventurava

Sem destino

Como que se pressentisse alguma coisa

Qualquer coisa

Ou mesmo alguém



Nasci quando a peguei por trás com força e perguntei

"Aonde você vai Amar Yasmine"

Nasci da surpresa dela e de seu desespero

De um grito abafado

De quem se curvara a mim

Trêmula



Nasci dos dentes com que lhe marquei a carne e a mente

Do gosto da mulher submissa e sua perversão

Nasci de um longo querer

Da fome por ela e sua submissão

Nasci da certeza que seria minha a qualquer custo

Pois sou seu filho como meu nome diz

Mas me tornei seu DONO

Poderia chamar-me Édipo

Mas sou

Werther von AY erschaffen

14 de junho de 2018

COGITO, ERGO SUM



O segredo para entender e ser fluente em qualquer idioma é se pensar neste idioma, somente assim será possível comunicar-se plenamente sem ficar titubeando. É como se houvesse uma chave comutadora: Desliga o Português e liga o Japonês, o Alemão, o Grego etc.

Da mesma forma, há um segredo para entender a submissão, saber suas reações, superar as dificuldades e limites, extrair o máximo do seu potencial e conhecer melhor quem se submete. 
Pensar em “submissês”.

Como diria René Descartes:

Penso, logo existo

Entender a dinâmica submissa e pensar como submisso, ou o mais próximo possível significa um tremendo “up grade” na relação. Conhecer seus medos, seus gatilhos e pontos fracos, suas emoções e limites, antever as possíveis reações e, é claro, saber a hora de parar uma cena.

Não é um mero sofisma. É como uma sintonia fina entre Dom e sub, algo que não ocorre em sessões avulsas, ou nos primeiros encontros. Refiro-me ao que chamamos de relação, então entenda-se a isto como sinônimo de compromisso, continuidade, conhecimento mútuo, intimidade, cumplicidade etc. 

É um exercício de empatia que demanda não apenas tempo (convivência), mas também muita paciência e observação. Acho que este é o diferencial entre as relações mais intensas, ou sólidas, e as demais. Não é uma questão de ser melhor ou pior, a intensidade do foco de cada uma das partes, especialmente de quem domina, é o que determina a intensidade da relação.

Dessa forma, nada acontece por acaso, como num jogo de xadrez tudo é pensado e planejado visando atingir o extremo das sensações, das emoções, e o consequente ápice do prazer.


Isto é o poder que se recebe


O BDSM se parece com o atletismo, não há recordes, nem condições inatingíveis, ou imbatíveis. Sempre haverá um algo mais a ser descoberto e conquistado, como um limite. Sempre haverá um “quê” de novo e surpreendente para quem s e permite dominar, pois é este o detentor do poder. 



E só se permite aquele que, mesmo na ótica do SSC, admite correr algum risco porque, no fundo, sabemos que o SSC acaba se transformando numa grande utopia à medida em que a relação se intensifica e o tesão afasta a racionalidade. 

Isto só é possível quando se confia plenamente em quem domina e há uma noção de autoconhecimento. Quanto mais há o que conhecer sobre si? Esta é a grande revelação que o BDSM pode propiciar.

Isto decorre do poder concedido.


Talvez seja uma questão de estilo, uns tem um aparente pragmatismo e praticam um BDSM que parte do físico, mas que inexoravelmente leva a um estágio emocional, enquanto outros optam por um caminho não tão direto, preferindo mexer diretamente com as emoções e, a partir destas, conquistar os limites do corpo.


Seja S&M ou D/s, tudo é válido 
quando praticado com seriedade e respeito.






Werther von AY erschaffen

5 de junho de 2018

AS DIFERENÇAS ENTRE OS IGUAIS


BDSM é isso, BDSM é aquilo.

BDSM é assim, ou assado?

Isto é BDSM, aquilo não é BDSM.

PROTOCOLO, ou LITURGIA?

SSC, ou RACK?

LIGHT, ou HARD?


O BDSM tem seus princípios e valores. Eu, por exemplo, gosto daquela forma antiga, mas quem sou eu para emitir qualquer juízo de valor que difere do meu entendimento? Isto me faz mais, ou menos adepto ao BDSM do que alguém?
Posso até defender minha opinião, mas por favor, não confundam com a infeliz e grosseira expressão "cagar regras". Infelizmente, algum déspota criou essa coisa e sempre que alguém cita o seu parecer isso vem à baila.


Então, me identifico com quem pensa de modo semelhante ao meu, mas converso e respeito a todos. Se divirjo do entendimento, simplesmente deixo passar em branco.
O que importa não é a definição, o que realmente importa é que aquele que pensa o BDSM, muitas vezes até mais que quem apenas pratica, saiba o que é, saiba o que faz e assim se entenda um BDSMer. Independentemente do que A ou B possam falar...

Não é a intensidade, ou a frequência do ato, BDSM é antes de tudo um pensar, uma forma de entender as relações; e não me venham com essa coisa de não ser baunilha, afinal todos temos vida dupla, todos somos baunilhíssimos da senzala pra fora. Ou você é maluco de entrar no banco pra falar com o gerente dando ordens!? Que tal ir à delegacia e gritar com o delegado... No popular, "aí cê tá fudido".

Quem é BDSM sabe que é e não precisa provar nada a qualquer pessoa. Aliás, não somos, mas nos momentos certos, estamos BDSM (Shakespeare talvez não gostasse de ler isso). E quando estamos temos que estar cem por cento.
Ou está BDSM, ou não está; não aceito o meio termo. É como aquela passagem bíblica do Livro de Apocalipse (aliás, a Bíblia tem coisas muito interessantes para quem é BDSM):


3: 15 "Eu conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; 
quem deras fosses frio ou quente!"


3:16 "Assim, porque és morno, e nem és frio nem quente, 
vomitar-te-ei da minha boca."


O morno é a indefinição, nem baunilha, nem BDSM.; O morno é a atitude preconceituosa, ou a empáfia desmedida de quem se acha acima de toda a verdade, que não aceita o contraditório, o diferente. O morno se acha BDSM personificado. Tudo além de si é um nada; mas que no fundo se frustra por ser uma mentira.



Numa época em que a diversidade, no sentido lato, é a palavra em voga, não há lugar para "donos da verdade", a não ser em seus domínios. O respeito torna-se mais do que nunca imperativo; a cada cabeça uma sentença e uma verdade. O entendimento é que traz da diversidade a grande e única verdade:

Somos todos BDSM!



Werther von AY erschaffen









12 de maio de 2018

DIALETOS DO CORPO


Uma imagem vale mais do que mil palavras, então uma reação pode ser mais representativa do que mil imagens.

Basta um toque, a língua percorrendo os vales até o íntimo, um arrepio sem frio, e o tesão que escorre preguiçosamente como mel.


Aquele eriçar dos pelos, um gemido, ou um simples e longo suspiro, suores, gritos, grunhidos, choro, soluços, prostração, a inércia e a paz de uma pequena morte.

Tudo isto pode significar muito mais do que, te quero, me fode, sou tua propriedade, me pega, me morde, me rasga, tô morrendo, e muitas outras palavras que se se possa proferir, ou imaginar.


A reação é a prova cabal de que o corpo fala um dialeto sem palavras, às vezes até grita de uma forma silenciosa, mas totalmente perceptível a quem tem os “olhos do sentir”, sem íris nem retina.

Degustar um corpo tal qual um vinho raro, sentir os aromas, o buquê, o gosto em todas as nuances.

É coisa de pele, o barulho das marcas, um cheiro inebriante de dor e o gosto doce de um grito preso entre dentes que rangem, a bunda que arqueja e contrai, tremores, o medo e a entrega que tudo espera e supera…

O gozo e um foda-se para o mundo!



Werther von AY erschaffen


8 de maio de 2018

QUEM ENTENDE A ESCRAVA?



Quem entende a escrava?

Quem pode desvendá-la ao vê-la vergar-se,
cabeça baixa, sentar aos pés como animal… 
A submissa na coleira
Quem consegue compreendê-la?
Nua, a espera, sem saber se é dia dela dar prazer.
A mulher que morre um pouco pra nascer,
pra renascer, ajoelhada e ser por outras mãos moldada 
e ser ferida… e ser curada 
desejando ser dele, seja do jeito que for…
Desejando ouvir o seu Senhor dizer em seus ouvidos…
“Você é minha!”

Autoria: hadara




25 de abril de 2018

DIÁRIO DA SUA AUSÊNCIA



Quando se ama alguém

tem-se sempre tempo para essa pessoa

E se ela não vem ter conosco

nós esperamos. 



O verbo esperar torna-se tão imperativo

quanto o verbo respirar

E aprendemos a respirar na espera

a viver nela

afeiçoando-nos a um sonho

como se fosse verdade. 



A vida transforma-se 

numa estação de comboios

e o vento anuncia-nos a chegada

antes do alcance do olhar. 



O amor na espera

ensina-nos a ver o futuro

a desejá-lo

a organizar tudo 

para que ele seja possível. 



É mais fácil esperar do que desistir. 

É mais fácil desejar do que esquecer. 

É mais fácil sonhar do que perder. 

E para quem vive a sonhar 

É muito mais fácil viver.



(Margarida Rebelo Pinto)





7 de março de 2018

SUA MAJESTADE O TESÃO




Construir e manter uma relação é mais ou menos como uma receita de bolo: Tem vários ingredientes. Então, não basta haver dominante e dominado(a). É necessário, além de um interesse mútuo, compreensão, cumplicidade, respeito, admiração, ..., e tesão.  Muito Tesão.

Os demais ingredientes podem fazer a relação, mas o que a mantém ao longo do tempo, evitando a mesmice, e a torna sempre mais intensa, é o Tesão. É o tesão o fermento da relação.
Tesão que independe da beleza, da idade, da cor, ou de qualquer atributo físico. O Tesão está na cabeça de cada um e é a resultante de diversos fatores que muito raramente são percebidos.



O Tesão é subliminar, é aquela vontade de fazer algo maior e não apenas foder; além disso é subjetivo, cada um tem o seu: Cabeças diferentes... Tesões diferentes.

Tesão que não é exatamente sinônimo de excitação. Se assim fosse, bastava um pau duro, e uma buceta molhada, para dar longevidade a uma relação. Longe dessa coisa simplista e totalmente palpável, o Tesão é a parte sutil do sexo. É onde tudo se inicia e acontece.



Tem instinto, tem sentimento, tem energia, fetiche e fantasia. Coisas que mexem com a mente e esta é que dispara os nossos gatilhos para atiçar o corpo. Agora são os toques, a voz, os cheiros, aquela coisa de pele.

O Tesão que se consubstancia em domínio, a posse e a entrega. BDSM é antes de tudo este Tesão, esta troca de provocações e estímulos que nos eleva a um Nirvana de perversões.
Com Tesão os limites são superados, a dor vira carícia e os gemidos um convite irrecusável; tudo se faz possível, mas sem Tesão nada acontece.



WERTHER VON AY ERSCHAFFEN

15 de fevereiro de 2018

DE JOELHOS


"Bendita seja a Mãe que TE gerou."
Bendito o leite que TE fez crescer.
Bendito o berço aonde TE embalou
A TUA ama, pra TE adormecer!

Bendita essa canção que acalentou
Da TUA vida o doce alvorecer...
Bendita seja a lua que inundou
De luz, a Terra, só pra TE ver...

Benditos sejam todos que TE amarem,
Os que diante de TI ajoelharem
Numa grande paixão fervente e louca!

E se mais que eu, um dia, TE quiser
Alguém, bendito seja esse ser
Bendito seja o beijo dessa boca!!


Florbela Espanca

19 de janeiro de 2018

A SUBMISSÃO SOB O OLHAR DE AMAR YASMINE DO WERTHER


“Submeter-se é se entregar para ser contida e usada ao bel prazer do Dono, de todas as formas possíveis e imagináveis, inclusive como objeto sexual. Submissão é a entrega para infinitas práticas lindas e deliciosas.”



Era o que os antigos adeptos ao BDSM ensinavam às iniciantes, deslumbradas e apressadas em aprender para terem logo sua experiência.

Entretanto, eu pensava se a submissão não extrapola este conceito tão pequenino... se não está muito além das práticas, que nada têm a ver com sofisticação ou beleza.
E, como tenho o hábito de quebrar as certezas das coisas, e faço isto sempre numa conversa comigo ao espelho, não importa o que venha ganhar ou perder, pensei... pensei... E pensei muito, antes de responder. 

Agora, faço a você, minha amiga, a mesma pergunta que fiz a mim. Antes, é bom lembrar que: Não se esqueça que é imprescindível ser absolutamente honesta consigo ao responder.



_Concorda que a submissão transcende a tudo acima e que também é:


1) Aliviar todo tipo de peso dos ombros do Dono. Captar suas preocupações e tentar acalmá-lo ou, pelo menos discutir alguma solução.

2) Ser leve, espirituosa, alegre, brincalhona, às vezes até meio palhaça, para despertar seu humor riso, sua gargalhada.

3) Ser sua cúmplice em qualquer tipo de aventura e prazer, do mais romântico ao mais perverso e leva-lo ao gozo de acordo com seus caprichos e desejos.


É, minha amiga, a submissão vai muito além daquilo que pode entender nossa pequenina compreensão. Ela é tudo que citei acima e, mais ainda, buscar se instruir em diferentes assuntos para que o Dono tenha com quem conversar. Não se esqueça que “Homens” apreciam uma boa conversa, ainda mais se for na horizontal... Uma boa conversa sobre seus assuntos prediletos.

Se saber o que falar é importante, mais ainda será, na hora certa, baixar a cabeça, os olhos e, numa atitude de pura aquiescência e respeito, calar e ouvir. Fazer do seu silêncio o bálsamo para alivia-lo das agruras da vida.



Finalmente, OBEDECER. Obedecer a qualquer custo, sem reclamar, sem querer provar que está certa ou tem razão.

Feito isto tudo, não custa nada carregar as malas e os embrulhos do Dono. Ser gentil. Abrir a porta do carro quando ele for entrar ou sair. E, a menos que não seja da vontade dele, andar dois ou mais passos atrás, em todos os sentidos.

Do lado oposto ao desta escrava submissa existe uma outra. Aquela que reclama e exige. Sua visão é completamente equivocada. Ela é míope para submissão. Por total insegurança ou complexo exige exclusividade e, a todo instante, precisa lembrar a todos da sua “personalidade forte”. 
Ora, personalidade forte tem quem vive a verdadeira submissão e pronto. Quem não precisa provar nada sobre si mesma a ninguém.

E quando gritam aos quatro ventos que o Dono tem que cuidar da sub??? Sabemos que cuidar do seu botton é um dever do TOP. Não é necessário alardear, muito menos impor.
Pra mim, isto é uma total inversão de valores. É o botton que serve ao TOP? Ou o TOP que serve ao botton? Quem vê isto de forma oposta deve repensar sua posição no BDSM. Quem sabe não deveria mudar o seu lado do chicote?!

Que peso é este que a submissa coloca nas costas do Dono? Será que não percebe que, não obstante uma aparência delicada e frágil, ela tem que ser forte como uma rocha? Que não é ela que se equilibra sobre o Dono?

Pois, repito aqui as palavras do Senhor Werther von AY erschaffen, meu DONO e meu AMOR, para mim:

“Amar Yasmine, você é o chão onde piso. 
Portanto, não trema senão...”

Espero que não fiquem chateadas comigo... Com a minha rigidez no assunto. Preciso ser rígida pra que muitas possam ver e viver as delícias da verdadeira submissão.
E lembrem-se, embora eu fale facilmente sobre o assunto, muitas vezes eu me engano. Sou humana, também erro. Mas, estou entregue nas mãos do DONO e recebo dELE, agradecida e feliz, todas as correções e castigos. Minha vida pertence a ELE!





12 de janeiro de 2018

CUCKOLDING E FEMINIZAÇÃO

BDSM não é para pessoas de mente fraca

Quando a gente se dá ao trabalho de observar e ler - coisa meio démodé aqui no nosso mundo tupuniquim -, sobre o que rola no BDSM estrangeiro, percebe o quanto as coisas podem ser diferentes. Apesar das barreiras do idioma às vezes é possível aprender coisas interessantes.

Em alguns países do leste europeu o S&M puro é bem mais frequente do que aqui, por outro lado em países como os EUA há uma predominância de certas práticas pouco vivenciadas por nós. Em ambos os casos o BDSM vai pra rua, com ares de manifestação cultural.


A questão de como entendemos o sexo e as relações pesa muito, isso sem falar na influência dos dogmas religiosos e da nossa própria formação. Somos fruto de uma educação ainda repressora, repleta de tabus, vergonhas e preconceitos.
A forma como o BDSM é vivenciado em países outros bem demonstra como a cultura de cada povo funciona como diferencial neste sentido.

Uma prática em especial retrata essa diferença, Cuckolding.
Para muitos é uma forma de grande humilhação, este é o primeiro entendimento da maioria, mas nem sempre é assim. Há quem aprecie o ato em que a sua mulher seja fodida por outro homem, ou mesmo adotar a posição de mero coadjuvante. Não lhe é humilhante, mas um prazer e uma forma de dar à ela prazer, que segundo um praticante pode também ser entendido como o ápice da cumplicidade. Mais importante de tudo: É CONSENSUAL.
Quando termina a cena, o que resta é apenas um casal feliz. Cuckolding já é considerado, semelhantemente ao Poliamor como um estilo de vida.


Nem toda prática dita humilhante representa ser realmente humilhado, assim como nem todo castigo é entendido como tal. Para um masoquista, o Spanking nem sempre é uma punição.
Independentemente da intenção de quem comanda e do efeito causado na parte submissa, tudo é apenas Perversão.

As práticas de humilhação merecem especial atenção por atingirem não o corpo, mas o emocional. O correto é que todo possível dano, tanto físico, ou emocional seja sanado, mas quando tratamos de emoções pode ser difícil reparar o estrago feito. Um dilema entre o SSC e os RACK.


Feminização, que não se restringe ao simples ato da inversão, ,mesmo que forçada representa muito mais prazer do que punição, por demandar uma grande dose de tempo e atenção de quem domina.

Nos EUA a feminização está tão difundida na sociedade que há muitas mães que por motivos diversos, como por exemplo a diminuição da agressividade, feminizam seus filhos, sem que isso contrarie a qualquer norma, ou lei. Existem orientações na literatura (livro de Victoria Marlowe) de como fazer tal processo segundo os ditames da lei americana.  


Então é muito mais fácil lidar com questões como essa quando há um histórico na sociedade. Passa a ser algo perfeitamente aceitável e normal.
A questão da “cornitude no Cuckolding”, tão denegrida na ótica baunilha, não é vista por mim como algo pejorativo, vejo apenas como um fetiche e respeito a quem pratica.

Escrevi este texto sem outra pretensão que seja trazer à tona a discussão de um assunto polêmico em função da nossa formação cultural, além de mostrar o quanto o BDSM pode ser plural, não somente em relação às práticas, mas à sua compreensão num contexto social.

BDSM não é para pessoas de mente fraca


Werther von AY erschaffen


9 de janeiro de 2018

A IMPORTÂNCIA DA CONFIANÇA


A confiança é tão importante no BDSM quanto a cumplicidade e até precede a esta. É a base de qualquer vínculo, independentemente do grau de comprometimento das partes. Então, sempre haverá um mínimo de confiança. Afinal quem se permitiria ser dominado(a), amarrado(a), flagelado(a) e tantas outras práticas, sem confiar em quem rege as ações?

E de onde vem a tal confiança? Vem da intimidade, do conhecer a si e do conhecimento mútuo. É importante saber da seriedade e da destreza de quem domina e aplica as práticas.

Qualquer relação D/s sem confiança será sempre um faz de conta, um mero exercício de fetiche.


O que mais me fascina nas relações com maior comprometimento é justamente o binômio confiança e cumplicidade. É o desejo de um na mesma direção do querer do outro, um amor ao que se faz e às vezes por quem se faz… o prazer de um complementa o outro.

Como permitir, por exemplo, uma restrição tipo smothering, ou mumificação, especialmente para quem tem fobias, sem se entregar e sem confiar? 

Na primeira vez em que fui mumificado levei um susto. A Dominadora (Senhora Maga), em quem confiava plenamente, obstruiu propositalmente minhas narinas com filme plástico, queria me passar um susto e também ver a minha reação, até onde iria a minha confiança. Eu estava completamente coberto pelo filme e imobilizado, mas permaneci quieto por confiar. Somente depois de alguns segundos tive a sensação do desespero pelo ar que não tinha. Ela prontamente rompeu o filme, liberando o ar e deu uma gostosa gargalhada. Em todo o processo eu sabia que estava em ótimas mãos e que ela cuidaria de mim.


Mudanças comportamentais e/ou físicas, como a feminização radical, também demandam tempo, confiança e cumplicidade. É o máximo em termos de entrega, compromisso e confiança. Já ouvi uma Dominadora afirmar que feminização é como brincar de boneca, ou que feminização é um máximo de poder pelo fato de mudar uma pessoa e fazê-la melhor.


Por isso admiro muito, tanto a quem domina quanto a quem se entrega e permite este moldar. Tudo é válido se feito consensualmente, respeitando os desejos de ambos e com seriedade. Considero uma arte, moldar e construir uma nova pessoa, dirigir-lhe as ações.

PORTANTO:

BDSM é re ( L ) ação, 
não se faz sozinho.

BDSM é sinônimo de comprometimento
seriedade e responsabilidade na busca dos interesses 
de quem domina e de quem se submete. 
Essa mistura é o segredo.

BDSM é ter a certeza 
do que se é e do que se deseja. 
É o desejo de descobrir novos horizontes 
do eu e do nós.


Werther von AY erschaffen




5 de janeiro de 2018

DA PROPRIEDADE



Sou tua porque sou tua
Como é a areia do mar
Como é da noite a lua
Como da ave é o voar

Sou tua porque sou tua
Não há o que duvidar
Por Ti estou sempre nua
Na cama, ou na sala de estar

Sou tua porque sou tua
Se me amar, ou me desprezar
Se me jogar pela rua
Ou em seu colo embalar

Não há o que fazer: eu sou tua
Nada isto pode mudar
Só a vontade que é tua
E enquanto ela durar

Enfim, meu DONO, eu sou tua
Pra me vender, usar, ou alugar
Tempo passa, tempo continua
Pode até, se quiser, me matar.

{W_[Amar Yasmine]}

22 de dezembro de 2017

LíQUIDA



Amar Yasmine,



BDSM e bebida não combinam,

Mas não bebo, apenas sorvo.

Tomo tua energia, 

Aromas,

Calor, 

Arrepios, 

Suspiros,

Gritos

E

Dor.




Delicía-me tua entrega

Despojada,

Despida,

Sacra,


Despudorada.




Sem eira, 

Nem beira, 

Na cama.

No chão, 

Na rede, 

Ou esteira.




Então bebo, 

Brindo um corpo

Que vibra, 

Inebria, 

Contorce,

Vicia.



Chama que me acende, 

Queima,

Convida,

Inflama, 

Clama.

Me chama em silêncio e diz:

"Sou sua"!



Werther von Ay erschaffen